Garantir acesso à água e saneamento nas escolas é um dos desafios mais urgentes para melhorar a qualidade de vida em muitas regiões da Amazônia. Na ilha do Marajó, no Pará, uma nova iniciativa busca enfrentar esse problema levando infraestrutura básica a centenas de unidades de ensino localizadas em comunidades rurais e isoladas.
O Instituto Aegea e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) firmaram um Protocolo de Intenções para apoiar o projeto Saneamento nas Escolas, que pretende ampliar o acesso à água potável e ao tratamento de esgoto em escolas da região.
A assinatura ocorreu na sede do BNDES, no Rio de Janeiro, com a presença de Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, e Tereza Campello, diretora Socioambiental do banco.
A iniciativa faz parte de um conjunto de ações voltadas à melhoria das condições de vida em territórios amazônicos que ainda enfrentam grandes lacunas de infraestrutura básica.
Saneamento como base para educação e saúde
A falta de saneamento impacta diretamente a rotina das escolas e a saúde das crianças. Sem acesso à água tratada ou banheiros adequados, problemas de saúde se tornam mais frequentes e o aprendizado acaba sendo prejudicado.
Segundo Édison Carlos, presidente do Instituto Aegea, garantir infraestrutura sanitária nas escolas é um passo essencial para reduzir a evasão escolar e melhorar o ambiente de ensino.
“Crianças doentes não aprendem e acabam abandonando a escola. O acesso à água de qualidade e ao saneamento é fundamental para garantir condições dignas de estudo”, afirma.
Investimento de R$ 20 milhões para ampliar o acesso à água
O Instituto Aegea deverá investir R$ 20 milhões nos próximos anos para apoiar a implementação do projeto, idealizado pelo BNDES e executado pela organização Habitat para a Humanidade Brasil.
Com esse investimento, cerca de 320 das 400 escolas previstas no programa deverão receber melhorias de infraestrutura sanitária.
O projeto alcança 16 municípios da região do Marajó, beneficiando diretamente mais de 15 mil estudantes e cerca de 16 mil pessoas da comunidade escolar.
A meta é universalizar o acesso à água potável em escolas com até 50 alunos, muitas delas localizadas em áreas de difícil acesso na ilha.
A realidade das escolas no Marajó
Levantamento realizado pela Habitat para a Humanidade Brasil mostra que a falta de saneamento nas escolas da região ainda é alarmante.
Entre as unidades de ensino de pequeno porte:
- 94% não possuem acesso ao abastecimento público de água
- 60% não contam com tratamento de esgoto
- 37,9% utilizam latrinas ou não possuem banheiros adequados
Esse cenário evidencia o tamanho do desafio enfrentado por comunidades que vivem em áreas afastadas dos centros urbanos da Amazônia.
Soluções de saneamento adaptadas à realidade local
O projeto prevê a implantação de sistemas de saneamento pensados para o contexto amazônico, com tecnologias que possam ser mantidas pelas próprias comunidades e adaptadas às condições locais.
Entre as soluções previstas estão:
Sistemas de água
- captação e armazenamento
- filtragem e tratamento
- reservatórios e distribuição para as escolas
Sistemas de saneamento
- fossas-filtro
- jardins filtrantes
- módulos sanitários adequados
Essas tecnologias evitam o descarte de resíduos no solo ou nos rios e contribuem para reduzir impactos ambientais.
Educação ambiental e participação das comunidades
Além da infraestrutura física, o projeto também investe na formação e na mobilização das comunidades.
Estão previstas mais de 800 oficinas educativas, voltadas a alunos, professores e moradores das regiões atendidas. As atividades abordam temas como uso responsável da água, higiene e gestão de resíduos.
A iniciativa envolve diversas organizações da sociedade civil que atuam na Amazônia, entre elas:
- Instituto de Projetos e Pesquisas Socioambientais (IPESA)
- Cáritas Brasileira Regional Norte II
- Malungu – coordenação das comunidades quilombolas do Pará
- FASE – Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
Infraestrutura e desenvolvimento sustentável na Amazônia
Projetos de saneamento básico são considerados fundamentais para o desenvolvimento humano na Amazônia. A melhoria das condições sanitárias contribui para reduzir doenças, fortalecer a educação e ampliar as oportunidades nas comunidades locais.
O projeto Saneamento nas Escolas integra o programa Escola Saneada, da Aegea, e se soma a outras iniciativas realizadas em parceria com o BNDES voltadas à preservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável da região, como o Floresta Viva.
Ao levar água e saneamento a escolas do Marajó, a iniciativa mostra como infraestrutura, educação e sustentabilidade podem caminhar juntas para melhorar a vida das populações amazônicas.
