A transição da COP30 (Belém) para a COP31 (Antália) ganha novos capítulos nesta semana. O Embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, e a CEO Ana Toni cumprem agenda em Istambul, na Turquia, para consolidar a cooperação multilateral e garantir que as metas de infraestrutura sustentável e financiamento climático não percam o fôlego.
A COP31 está confirmada para ocorrer de 9 a 20 de novembro de 2026, em Antália, sob a presidência de Murat Kurum, Ministro do Meio Ambiente, Urbanização e Mudança do Clima da Turquia.
Implementação em “Duas Velocidades”
Um dos pontos centrais discutidos pelo governo brasileiro é a modernização do multilateralismo climático. Segundo Corrêa do Lago, o processo deve operar em duas frentes complementares:
- Trilha de Negociações: Focada no consenso e na legitimidade jurídica.
- Trilha de Implementação: Onde coalizões técnicas e institucionais mobilizam recursos e escalam soluções práticas de engenharia e tecnologia sem renegociar acordos já firmados.
“A colaboração entre as Presidências é essencial para transformar ambição em entrega”, destaca o Embaixador.
Metas Estratégicas: Financiamento e Descarbonização
A agenda internacional do Brasil nos próximos dias inclui visitas técnicas a órgãos de fôlego global para discutir viabilidade econômica e operacional:
- AIE (Paris): Roteiros para a transição energética e saída dos combustíveis fósseis.
- FAO (Roma): Estratégias para o fim do desmatamento global até 2030.
- Financiamento: Mobilização de US$ 1,3 trilhão anuais em financiamento climático até 2035.
Parceria Brasil-Austrália na NDC Partnership
Além da Turquia, o Brasil estreitou laços com a Austrália. Em 2026, os dois países copresidirão a NDC Partnership, uma coalizão com mais de 260 membros focada na implementação de planos nacionais de clima. Ana Toni reuniu-se com Chris Bowen, Ministro da Mudança do Clima e Energia da Austrália, que presidirá as negociações da COP31, para alinhar os planos de ação.
O Caminho de Belém a Antália
A integração entre os Campeões Climáticos de Alto Nível — Dan Ioschpe (COP30) e Samed Ağırbaş (COP31) — reforça o compromisso de engajar o setor privado e a sociedade civil em resultados que sejam, acima de tudo, implementáveis. Para o setor de infraestrutura, essa continuidade representa segurança jurídica e clareza sobre o fluxo de investimentos verdes para a próxima década.
