O Dia da Amazônia foi oficialmente instituído em dezembro de 2007, determinando que essa homenagem ao bioma e à sua relevância fosse celebrada anualmente em 5 de setembro. Mas a data vai além da conscientização: é um chamado para a ação. Com mais de 4 milhões de km², a floresta amazônica é essencial para o equilíbrio climático global, a regulação das chuvas e a manutenção da biodiversidade. A região atua como um imenso sumidouro de carbono, armazenando entre 150 e 200 bilhões de toneladas de CO₂ em sua vegetação e nos solos, o equivalente a quase 20 anos das emissões globais atuais. Quando árvores são derrubadas ou queimadas, esse carbono retorna para a atmosfera, agravando o aquecimento global. Além disso, a floresta ajuda a regular as temperaturas por todo o planeta, influenciando correntes atmosféricas e oceânicas que impactam padrões de chuva e seca na América do Norte, Europa e outras partes do mundo.
“Trabalhar com projetos certificados é mais do que uma necessidade. É uma alegria para nós perceber que as iniciativas geram impacto duradouro, melhoram a vida das pessoas e podem se perpetuar como um legado às próximas gerações”, reflete Odair Rodrigues, CEO e fundador da B4, a primeira bolsa de ação climática do Brasil. Ele reforça que, para oferecer créditos no mercado de carbono, é fundamental que a empresa priorize a transparência sobre suas atividades, comprometendo-se com a auditoria exigida não só no início da listagem, mas também regularmente.
“A Amazônia concentra a maior biodiversidade do planeta. Os projetos que atuam na região precisam estar em linha com a proteção ambiental e as técnicas mais avançadas de preservação. Para isso, é essencial incluir a comunidade.” Estima-se que o bioma abriga cerca de 10% de todas as espécies conhecidas, com mais de 40 mil tipos de plantas, 1.300 de aves e 430 de mamíferos, além de uma infinidade de insetos, peixes e micro-organismos ainda pouco estudados. Essa riqueza biológica é responsável por serviços ecossistêmicos vitais, como polinização, regeneração do solo, controle de pragas e purificação da água, além de ser um imenso reservatório genético que pode fornecer novas soluções para a medicina, a tecnologia e a alimentação humana. Perder espécies amazônicas significa abrir mão de potenciais curas, inovações e do equilíbrio natural que sustenta a vida em escala planetária.
Aracê Ibá: conservando a Amazônia, cultivando o futuro
No coração da Amazônia, na Fazenda Santana, localizada em Aveiro, no Pará, atua o Projeto Aracê Ibá que, em Tupi-Guarani, pode ser interpretado como “Aurora da Árvore” ou “Renascimento da Árvore”, evocando a ideia de um novo começo e regeneração da natureza. A proteção de 3.663,0870 hectares de floresta amazônica cria um santuário de biodiversidade no local.
Waldemar Antônio Schmitz, idealizador da iniciativa, aposta na educação e no envolvimento das comunidades ribeirinhas para construir um futuro próspero e seguro. “Como se pode fazer uma catação de castanha, de cumaru ou de óleo de copaíba da forma correta, para não estragar a árvore? Como fazer a coleta de frutas que a floresta nos dá, sem prejudicar a natureza?” A empresa oferece cursos que envolvem a exploração não predatória e o manejo sustentável de resíduos, além da prevenção e do combate a incêndios.
Agora, a iniciativa também visa promover a apicultura para geração de renda por meio do cultivo de mel. “A sensação é de dever cumprido, de se auto-realizar. Porque não tem nada mais lindo do que você entrar na floresta e ver os passarinhos cantando, os bichinhos andando e se desenvolvendo, ver as árvores sadias e preservadas. Não há dinheiro que pague a sensação de cooperar com o meio ambiente por meio da conservação.”
Desenvolvido pela JJG Carbon, o projeto atua em áreas privadas e opera no mercado voluntário de créditos de carbono, transformando a preservação ambiental em ativo para o desenvolvimento sustentável. As ações estão em linha com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estipulados pela Organização das Nações Unidas, apoiando a segurança alimentar e práticas agrícolas harmônicas (ODS 2), protegendo o bem-estar das comunidades (ODS 3), promovendo a educação ambiental (ODS 4) e o trabalho decente (ODS 8), bem como parcerias e meios de implementação (ODS 17).
A iniciativa oferece na B4 hoje um volume total de 3.714.724,000 toneladas de dióxido de carbono equivalente. A bolsa de ações climáticas, criada com o propósito de fortalecer o mercado de sustentabilidade, escolheu o tucano-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus) para representar o projeto. A espécie é uma das aves mais emblemáticas da Mata Atlântica e da Amazônia de transição e atua como importante dispersor de sementes, fundamental para a regeneração florestal e a manutenção da biodiversidade.
Apoena Kaá: enxergar além e manter a floresta em pé
O Projeto Apoena Kaá é uma iniciativa pioneira de conservação florestal. Mais do que um projeto ambiental, é um modelo de desenvolvimento sustentável que une proteção da biodiversidade e fortalecimento comunitário para criar um legado de impacto positivo. O projeto está localizado em uma área estratégica da Floresta Amazônica: a Vegetação Ombrófila Densa, um dos ecossistemas mais complexos e diversos do planeta. A região desempenha um papel crucial na regulação climática global e na produção de água.
Contudo, ela enfrenta uma pressão antrópica severa e crescente. Fatores como a expansão desordenada da fronteira agrícola, a extração ilegal de madeira e a conversão de floresta para pecuária são ameaças constantes. Existe ainda uma preocupante tendência de aumento do desmatamento na região de Aveiro, tornando ações de conservação não apenas necessárias, mas urgentes. “De que maneira podemos falar sobre preservação se as pessoas do entorno estão passando necessidade, se não têm acesso a saneamento básico, se não têm renda? Temos que ter dignidade”, explica Leonir Dacroce, idealizador do projeto. Na comunidade Aracati, de Santarém, as ações incluem a entrega de banheiros individualizados, água potável e luz fotovoltaica aos moradores do entorno.
Para Dacroce, a comunidade precisa defender a iniciativa entendendo sua importância e se beneficiando dela. Por isso, a cada R$ 2 milhões de venda em créditos de carbono, 3,5% é destinado às ações comunitárias para melhoramento da infraestrutura. No planejamento está a construção de uma fábrica de farinha de mandioca, gerando emprego e renda para a população local. Além disso, a equipe trabalha com manejo florestal sustentável e monitoramento contínuo das áreas sob resguardo. Hoje, o inventário florístico in loco estima 3,29 milhões de árvores que produzem um volume total de 1.655.674.860 toneladas de dióxido de carbono equivalente, convertidos em créditos de carbono certificados e disponíveis na B4. O símbolo do Projeto Apoena Kaá é o macaco-aranha-de-cara-branca, espécie endêmica da Amazônia que exerce papel essencial como grande dispersor de sementes, mantendo a regeneração natural da floresta. Sua preservação garante equilíbrio ecológico, proteção da biodiversidade e reforça os sumidouros de carbono da região.
