Rio Negro sobe 18cm, mas ainda está abaixo do normal; Pescadores afetados recebem cestas básicas

Dificuldades de locomoção, trabalho interrompido e ajuda humanitária. O estado do Amazonas enfrenta uma seca severa e, desde julho, vários municípios foram decretados em situação de emergência. De acordo com a Defesa Civil do Amazonas, todos os 62 municípios do estado permanecem nessa situação. Segundo o boletim divulgado dia 21 de novembro, são 598 mil pessoas e 150 mil famílias afetadas. A Defesa Civil informou que, no período de 1º de janeiro a 20 de novembro de 2023, foram registrados 19.397 focos de calor no estado, dos quais 2.802 na região metropolitana de Manaus.

O Rio Negro até mantém o ritmo de recuperação em Manaus (AM) e está subindo 18 cm por dia, no entanto, ainda não é o suficiente. Segundo dados apresentados no 48º Boletim de Monitoramento Hidrológico da Bacia do Rio Amazonas, divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), no dia 19 de novembro, os níveis também estão em processo de subida nos rios Amazonas, Madeira e Purus, mas, as cotas estão abaixo do que é considerado normal para o período. De acordo com o SGB, em outubro, o Rio Negro registrou a menor cota da história, chegou à marca de 12,66 m – a menor já observada desde o início do monitoramento em 1902, ou seja, em 122 anos.

Foto Rafa Neddermeyer. Agência Brasil

Dificuldades de locomoção

A estiagem do Rio Negro tem afetado a vida da população ribeirinha local que enfrenta problemas de acessibilidade. Na Marina do Davi, principal terminal público de Manaus para deslocamento a comunidades ribeirinhas – a exemplo de Igarapé, Tarumã Mirim, Praia da Lua e Praia do Tupé –, o cenário é de muita dificuldade para a população que precisa chegar a diferentes locais.

Segundo informações da Agência Brasil, na Marina, após descer uma ladeira, os passageiros têm de caminhar quase um quilômetro atravessando lama, bancos de areia, pontes precárias de madeira, em um percurso arriscado, até chegar ao local onde aguardam os pequenos barcos que ainda conseguem fazer a travessia, que agora tem demorado cerca de três horas, conforme relato dos moradores da comunidade.

Um grupo de 56 barqueiros, organizados em torno da Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da Marina do Davi (Acamdaf), presta tanto serviços para as comunidades, quanto realiza passeios turísticos na região. Em entrevista à Agência Brasil, um dos cooperativados, João da Rocha Lopes, 52 anos, disse que só tinha visto uma seca similar em 2010, mas com impacto muito menor. Parado desde outubro, ele contou que está sobrevivendo como pode.

“A gente se vira com o que tem, com o que conseguiu ganhar e guardar um pouquinho, não é? Vai se virando”, afirmou. “Perdeu o comércio, perderam muitas áreas. Por exemplo: o Uber parou o movimento. Alguns colegas nossos ainda estão trabalhando na rabeta. A gente trabalha com sete comunidades e os transportes estão sendo feitos por meio de rabetinhas, que andam praticamente na lama. E eles [os moradores] têm necessidade de ir e vir, porque precisam comprar alimentos, remédios, precisam fazer essa locomoção”, relatou.

Ajuda humanitária

O governador Wilson Lima realizou no dia 19 de novembro uma entrega de mais 10 mil cestas básicas para pescadores afetados pela estiagem no Amazonas, o equivalente a 220 toneladas de alimentos. Os alimentos foram entregues na sede da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror) para quatro organizações que representam os pescadores no Amazonas: Sindicato dos Pescadores e Pescadoras Artesanais do Amazonas (Fesinpeam); Federação dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura do Estado do Amazonas (Fetape); Federação dos Pescadores do Estado do Amazonas (Fepesca) e Sindicato dos Pescadores (Sindpesca).

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Desde o início da Operação Estiagem 2024, em janeiro deste ano, o Amazonas destinou mais de 3 mil toneladas de alimentos para todo o estado, além de 202,1 toneladas de medicamentos. O envio de mantimentos ocorre em operações que envolvem toda a estrutura do Governo do Amazonas, com auxílio das Forças Armadas.

Expectativas pelas chuvas

Um relatório técnico foi divulgado neste mês de novembro pela Defesa Civil do Amazonas, com análises realizadas pelas Gerências de Monitoramento Meteorológico e Hidrológico da Seção de Monitoramento do CEMOA.

Segundo o documento, prognósticos climáticos de precipitação indicam que, para o trimestre de novembro de 2024 a janeiro de 2025, os volumes de chuva deverão ficar abaixo da média climatológica nas regiões leste, sudoeste e sul do Amazonas. Por outro lado, espera-se chuvas dentro da normalidade no norte e em áreas específicas do sudeste do estado. 

De acordo ainda com o monitoramento climático, durante o trimestre de novembro a janeiro, o fenômeno ENSO (El Niño-Oscilação Sul) pode evoluir para condições de La Niña de curta duração. Estima-se que, após esse período, a temperatura da superfície do mar (TSM) no Pacífico Equatorial retorne a condições de neutralidade. Além disso, persistem anomalias positivas na temperatura da superfície do mar na região do Atlântico Norte, o que deverá continuar a influenciar o transporte de umidade para a Amazônia no início do trimestre (novembro-dezembro/2024 e janeiro/2025).

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