Utilizar a diversidade da floresta para produzir artesanato sustentável é a especialidade de artesãs e artesãos do Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial (PEAP), que beneficia comunidades do território quilombola Alto Trombetas II, em Oriximiná, no Oeste do Pará. Toda essa produção passa por adornos corporais, utensílios de cozinha e peças decorativas, feitos a partir da cerâmica. Já as biojoias são produzidas com as cascas de taperebá, cupuaçu, ouriço de castanha e sementes de açaí, entre outros materiais encontrados na natureza, que a ganham forma de brincos, colares, braceletes e pulseiras.
Ao todo, 95 integrantes – 80% deles mulheres – participam do projeto. O PEAP é um
dos 11 projetos que integram o Programa de Educação Socioambiental (PES), da Mineração Rio do Norte (MRN). A iniciativa oferta um processo educativo com capacitações continuadas, por meio de cursos, oficinas e assessoria técnica nos eixos
de biojoias e cerâmica.
A artesã Mariene Fernandes de Jesus é coordenadora da comunidade Jamari, do Alto
Trombetas II, e produz biojoias e cerâmica com o incentivo do PEAP. Ela conta que participar do projeto a fez despertar para a valorização da própria cultura quilombola. “Como quilombola, é importante que a gente sempre resgate a cultura do nosso território. Foi mais um passo porque as pessoas lá sabiam fazer pinturas diferenciadas, mas não tinham as técnicas que eles tão passando pra gente. Isso deu mais valor para os nossos produtos e eu acredito que vai dar mais uma força para a gente alavancar ainda mais o nosso trabalho”, explica a artesã.
O projeto também oferta orientações de designers para produzir as peças. A artesã Dulcineia de Jesus, da comunidade Último Quilombo, participou da EXPOSIBRAM 2023, feira de mineração realizada em Belém, capital do Pará, entre os dias 28 e 31 de agosto. Orgulhosa pelo próprio trabalho, ela expôs e comercializou as biojoias que produziu com os recursos da floresta. “Além de bonitas, as biojoias são sustentáveis. Usamos sementes, caroços, ouriços, folhas e cascas, tudo retirado da floresta com todos os cuidados com a natureza. Nós estamos passando pra nossa geração que nós precisamos da reserva, nós precisamos da nossa Amazônia saudável”, destaca.
Para Genilda Cunha, analista de Relações Comunitárias da MRN, contribuir para o
desenvolvimento do potencial criativo e ainda gerar emprego e renda para as
comunidades quilombolas é um compromisso social da empresa. “É uma ponte para
que eles se tornem autônomos, porque a gente trabalha todo esse eixo com eles, não
só da criação, mas que eles possam ter autonomia na venda e ver o mercado de forma
diferenciada para oferecer as peças para além da floresta e conquistar novos espaços”,
afirma.
Há 18 anos, a artesã Cléia dos Santos, da comunidade Último Quilombo, participa do
curso de biojoias. Ela conta que a produção das peças vai além do valor econômico.
“Nós vendemos nas comunidades e aproveitamos as feiras que são realizadas em
Porto Trombetas. Quando não, batemos de porta em porta, deixamos nos barcos e,
assim, vamos comercializando. Eu pretendo passar de geração para geração. Acredito
que é a maior riqueza que eu posso deixar para meus filhos e netos”, garante a artesã de 63 anos.
Sobre o projeto
O Projeto de Educação Ambiental e Patrimonial (PEAP) nasceu em 2001, fruto de uma
pesquisa arqueológica desenvolvida, na época, pelo Museu Paraense Emílio Goeldi
(MPEG) em Oriximiná. Desde 2010, passou a integrar o Programa de Educação
Socioambiental da MRN. Os eixos Biojoias e Cerâmica são realizados em comunidades
quilombolas do território Alto Trombetas II, reunindo um total de 76 mulheres e 19
homens, o que reforça o fomento ao empreendedorismo feminino da região.


