Sônia Guajajara assume o primeiro Ministério dos Povos Indígenas do país

Do povo Guajajara/Tentehar, que habita nas matas da Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, para o Palácio do Planalto, em Brasília. Sônia Guajajara assumiu o Ministério dos Povos Indígenas, criado pelo Presidente Luís Inácio Lula da Silva, nesta quarta-feira, dia 11, na capital federal. O convite já havia sido feito no final de dezembro passado e a posse estava marcada para a última segunda-feira, dia 09, mas foi desmarcada devido os ataques ocorridos em Brasília, no domingo, dia 08, sendo remarcada para quarta.

“Me sinto muito honrada e feliz com essa nomeação. Mais do que uma conquista pessoal, esta é uma conquista coletiva dos povos indígenas do Brasil, um marco na nossa história de luta e resistência. A criação do Ministério dos Povos Indígenas é a confirmação do compromisso que o presidente Lula assume conosco, garantindo a nós autonomia e espaço para tomar decisões sobre nossos territórios, nossos corpos e nossos modos de viver”, declara Sonia.

Internacionalmente reconhecida por sua luta em defesa dos direitos dos povos indígenas, seus territórios e por sua luta pelas causas socioambientais, Sônia fez parte de diversos órgãos: da Coordenação das Organizações e Articulações dos Povos Indígenas do Maranhão (Coapima), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) e atuou como coordenadora executiva da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil). Também integrou o GT dos Povos Originários e foi parte fundamental na construção do relatório que mapeou as principais demandas e prioridades para os povos indígenas, como a demarcação de terras.

Sônia também é conselheira da Iniciativa Inter-Religiosa pelas Florestas Tropicais – Conselho vinculado à ONU e participa, desde 2009, das discussões climáticas desde seu território até as Conferências Mundiais do Clima (COP) e há anos leva denúncias ao Parlamento Europeu, entre outros órgãos e instâncias internacionais. Inclusive, a indígena está entre as 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista americana Time (2022).

“O Brasil está no centro das discussões sobre a crise climática e, apesar de nós, povos indígenas sermos apenas 5% da população mundial, somos responsáveis por mais de 80% da proteção ambiental do mundo. Por isso, meu trabalho como ministra será também o de pleitear recursos estrangeiros que possam contribuir com a preservação ambiental dos biomas brasileiros e apoio às demandas dos povos tradicionais no Brasil e no mundo”, conclui Sonia.

Em 2018 Sonia Guajajara foi candidata a vice presidência da República compondo a chapa com Guilherme Boulos, abrindo a discussão dentro do movimento indígena para a importância de ocupar a política. Não foi eleita , porém trouxe a pauta indígena e ambiental para o centro do debate político e prosseguiu ampliando a visibilidade e a incidência dos povos indígenas no Brasil. Neste ano de eleição, atendendo ao chamado da APIB, assumiu o compromisso de aldear a política brasileira, lançando, junto a outras candidaturas indígenas, sua campanha à deputada federal pelo estado de São Paulo, se tornando a primeira deputada indígena eleita no estado e a indígena com a maior votação da história.

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