Com o nome de Vagalume, inseto que acende e ilumina, a organização não-governamental está disseminando a leitura e alfabetização em comunidades remotas da Amazônia Legal. A Ong monta bibliotecas comunitárias por meio de doações de livros e capacita membros das comunidades para serem mediadores de leitura para crianças e adultos. Já são 86 unidades em 22 municípios da Amazônia.
O projeto piloto começou em 2001 em municípios do Pará, após três amigas (Sylvia, Laís e Fofa) terem viajado pela Amazônia e tido a ideia de levar livros e formar mediadores de leitura pelos lugares onde passassem. A ação foi tão bem aceita pelas comunidades que, em 2002, elas fizeram uma viagem de dez meses por todos os estados da Amazônia Legal brasileira, levando livros e formações por 53 comunidades rurais.
Quando voltaram para São Paulo, receberam muitas cartas pedindo para que voltassem, pois havia muitas outras comunidades querendo bibliotecas e pessoas querendo formações, nascendo a Ong Vagalume.
Uma das bibliotecas comunitárias é a Carlos Alberto Xavier de Moraes, situada no município de Castanhal, no Pará. Criada em 2011, a biblioteca homenageia o filho de agricultores que, em 1978, fundou uma escola para 43 alunos na casa de família onde ele trabalhou.
Hoje, aos 66 anos e já aposentado, Carlos continua lendo para as crianças da comunidade. E isso inclui as histórias que ele mesmo escreve. Aliás, ele mesmo edita, publica e distribui os próprios livros, em cadernos escolares com contos escritos a mão. Carlos também desenha a capa e as ilustrações. Uma história que vem sendo destaque na imprensa nacional.
Na Amazônia Legal, 31,2% dos matriculados no Ensino Médio têm idade acima da esperada para o ano que estão cursando. A taxa é de 28,1% no resto do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para a voluntária Lucilene Pantoja, também professora aposentada, o projeto une a comunidade, que trabalha em conjunto e se engaja nas leituras. “A gente vai pegando gosto e vendo a importância que isso tem. O essencial não é dinheiro, e sim ver cada criança sorrindo”, afirma.
A biblioteca Carlos Alberto Xavier de Moraes funciona em uma escola municipal que atende 30 crianças. Boa parte das ações da Vagalume são feitas por meio da chamada mediação de leitura, com voluntários indo a escolas e até mesmo na casa de alunos para lerem livros. As leituras acabam virando programação da família toda e impactam até idosos não alfabetizados.
Segundo números da organização, mais de 140 mil crianças, jovens e adultos já foram impactados pelo projeto. Ao todo, já foram mais de 150 mil livros doados e são mais de 805 voluntários atuantes. São 5 mil mediadores de leitura formados e 2.698 adolescentes que já participaram do intercâmbio cultural.
A diretora executiva da organização, Lia Jamra Tsukumo, afirma que a leitura também desenvolve as competências socioemocionais dos jovens amazônidas que possuem menos acesso a livros do que em outros pontos do país.
“No contexto amazônico, a leitura de qualidade se insere como um fator determinante na formação de cidadãos globais”, diz.

