Com intuito de impulsionar o desenvolvimento de atividades ligadas à bioeconomia florestal, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) criou um programa que busca o desenvolvimento voltado a agricultores e empreendedores da região Norte. O projeto-piloto, chamado de Garante Amazônia, pretende potencializar o acesso ao crédito indireto, oferecido por meio de parceiros. De um lado, o BNDES vai destinar R$ 20 milhões no processo de capacitação, com agentes no local, que vão oferecer assistência técnica aos empreendedores e comunidades da região, além de auxiliar na regularização fundiária. Ao mesmo tempo, o banco lançou uma chamada pública para levantar R$ 20 milhões com bancos multilaterais, investidores de impacto ou empresas. O objetivo é formar um fundo garantidor, que será administrado pela instituição de fomento. Em paralelo, outro projeto visa a auxiliar a regularização fundiária de assentamentos, inicialmente no Amapá.
Segundo o diretor de crédito produtivo e ambiental do BNDES, Bruno Aranha, em entrevista ao jornal Valor Econômico, o objetivo é apoiar e fortalecer o empreendedor para que ele deixe de ser simplesmente familiar e se capacite para se tornar um empreendedor da floresta.
“Hoje, a renda do produtor em uma atividade como a pecuária é de cerca de R$ 1 mil por hectare e, na soja, de R$ 3 mil. A produção de cacau orgânico chega a R$ 10 mil. Uma atividade voltada para bioeconomia ajuda a manter a floresta em pé e agrega um produto que tem um valor muito maior no mercado”, explica Aranha.
O BNDES conversou com mais de 30 instituições e fez diversas viagens à região para entender as necessidades locais. E decidiu atuar em duas frentes: na capacitação dos empreendedores locais e no fornecimento de garantias para que os agricultores possam ter acesso a empréstimos.
Para a concessão do crédito, serão credenciados de dois a três agentes financeiros, que terão acesso às garantias e poderão oferecer suas linhas de financiamento aos agricultores. Em média, o valor médio dos financiamentos com esse perfil é de R$ 100 mil, mas eles vão de R$ 10 mil a R$ 500 mil.
“Teremos milhares de famílias potencialmente beneficiadas pelo programa. Dentro das propriedades, há potencial muito grande de reflorestamento, de migração para atividade consorciadas para colocar de novo a floresta em pé, produção de ‘superfoods’”, enumera.
Regularização fundiária
O outro projeto lançado pelo banco é o Raízes, que vai de regularização fundiária a ações de recuperação ambiental, infraestrutura social e inclusão produtiva. Trata-se de um Projeto Integrado de Ordenamento Territorial no Incra. No primeiro momento, são 87 projetos de assentamento em uma área de mais de 1 milhão de hectares. Dessa área, 38 mil hectares devem ser reflorestados. A primeira etapa se concentrará no Amapá, mas o objetivo é levar para os outros Estados da região, com recursos de R$ 72 milhões. Um financiamento do BNDES ao Estado garantirá R$ 59 milhões, e o restante virá de parceiros.

