Indígenas são aprovados em universidade federal em São Paulo

Ana Kelly Taleixo e Zezinho Dollis, da etnia Marubo, são os novos universitários e moradores da grande São Paulo. Os dois jovens indígenas aprovados no Vestibular Indígena Unificado da Unicamp-UFSCar já se mudaram para a capital paulista para cursar Ciências Sociais e Filosofia, respectivamente, na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Eles são da aldeia Maronal, no Vale do Javari, Terra Indígena (TI) com maior número de povos isolados do país que fica a 1,1 mil km de distância da capital amazonense.

Os jovens irão iniciar o semestre letivo em 15 de agosto. Ao todo, 1.441 estudantes realizaram o exame, em seis cidades do país, incluindo três no estado do Amazonas: Manaus, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga.

Ainda em processo de adaptação na cidade, os vestibulandos estão com grandes expectativas pelo início do curso. Zezinho Marubo, de 23 anos, conta que sair do interior da Amazônia para cursar o ensino superior é um privilégio e quer aproveitar a oportunidade para levar o conhecimento que vai adquirir para sua aldeia.

“Sempre quis fazer Filosofia para entender o lado do meu povo e do branco. É um dos momentos mais importantes da minha vida porque é um privilégio estudar na UFSCar. Muitos querem estar aqui e eu tive essa oportunidade”, comentou o universitário.

Para Rosa dos Anjos, Supervisora da Agenda Indígena da FAS, a conquista serve de inspiração não apenas para jovens do povo Marubo, mas para todos os indígenas: “É muito gratificante ver que eles conseguiram dar mais um passo em suas vidas, pois, estamos falando de indígenas que vieram da TI Vale do Javari em busca de realizar seus objetivos. E saber que nós da FAS, com ajuda de parceiros, conseguimos contribuir para esse sonho não ser interrompido”, avalia.

Kelly, de 19 anos, nunca imaginou que moraria em São Paulo e está em fase de adaptação à cidade para conquistar seu sonho. “Está sendo difícil, mas é bom”, comenta.

Para a jovem, a inserção de indígenas no ensino superior é uma grande conquista para o país.  “Tem sido uma grande vitória cada dia saber que tem cada vez mais indígenas no ensino superior, fazendo universidade no Brasil para que ajudemos o país e para que os indígenas ajudem o próprio povo”, comenta.

Para transportar os indígenas para São Paulo, a FAS contou com a parceria da LATAM, por meio do seu programa Avião Solidário, que levou os jovens de Manaus à São Paulo a pedido da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIJAVA).

Inclusão digital para estudantes

Para facilitar o acesso de populações que vivem distante das cidades, a FAS já instalou 31 pontos de inclusão digital indígena, sendo seis deles no Vale do Javari. Estes pontos de conectividade são utilizados principalmente para teleatendimentos de saúde, para estudantes realizarem pesquisas e assistirem a aulas remotas e comunicação entre os indígenas e ribeirinhos das comunidades do entorno. Ao todo, são 104 estruturas de conectividade instaladas nas localidades onde a instituição atua.

Deixe uma resposta