Manteiga de cupuaçu, óleos de castanha e de andiroba e ainda, cupuaçu e açaí em pó. Esses são os produtos da floresta amazônica que a cooperativa RECA irá levar direto de Nova Califórnia, Rondônia, para a maior feira de produtos orgânicos do mundo, a Biofach 2022, que será realizada em Nuremberg, na Alemanha. A cooperativa é resultado de um projeto que uniu cerca de 100 migrantes de diversas regiões do país à população de seringueiros em Nova Califórnia em ????. Hoje já somam mais de mil produtores de frutos na Amazônia. A feira que a cooperativa irá participar costuma reunir mais de três mil expositores de mais de 100 países, e será realizada do dia 26 a 29 de julho próximo.
O RECA, que significa Reflorestamento Econômico Consorciado e Adensado, já participou da Biofach em 2020 e este ano estará novamente na feira, assessorada por GIZ, uma agência de cooperação técnica entre o governo alemão e o brasileiro que presta consultoria, material gráfico e apoio logístico a várias comunidades na Amazônia.
Segundo o diretor comercial do RECA, Gicarlos Souza de Lima, o objetivo da participação da cooperativa na feira este ano é de ingressar no mercado global: “Neste ano iremos levar para a Biofach nossos produtos que possuem certificação orgânica internacional, principalmente o óleo de castanha, óleo de andiroba e a manteiga do cupuaçu, e como novidade, além destes, na busca de integrar o RECA no mercado global, vamos levar um produto que está em pesquisa há bastante tempo no país e na Europa, que é o cupuaçu e o açaí liofilizados, inovando os produtos do RECA que geralmente eram em polpas congeladas”, contou . O processo de liofilização preserva o sabor e nutrientes do fruto por longo período.
Segundo Giccarlos, a participação na feira também tem intuito de motivar os produtores: “Nosso objetivo é ampliar o mercado e valorizar mais o nosso produto, porque quanto maior a valorização, mais conseguiremos remunerar nossos produtores, pois estamos vendo um cenário de desvalorização no país devido à expansão da cadeia pecuária na região da Amazônia. Queremos expandir a comercialização dos produtos orgânicos para fora do país como forma de valorizar e motivar os produtores do campo, consolidando os SAF’s (Sistema Agroflorestal) não só como uma maneira de gerar renda mas também de preservar o meio ambiente”, justificou.
O RECA foi fundado pela união de famílias de outras regiões do país que foram para Rondônia na esperança de ter terra, através de um programa do Incra na década de 80. Sem apoio do governo e nem infraestrutura, contaram com a parceria de famílias de seringueiros que já habitavam a região, e montaram o projeto de plantar em Sistemas Agroflorestais cultivando frutos compatíveis com a terra e clima da Amazônia. A partir daí passaram a comercializar essa produção e, atualmente, o RECA já revende para empresas de cosméticos como a Natura e atacadistas de diversas regiões do país. A superação e evolução dos produtores do RECA é uma das histórias que estará no livro “Os Caminhos da Amazônia Sustentável”, que está em produção na M3 Editorial—responsável por este site.


