Fibra de caju e ingredientes da Amazônia são destaques em eventos internacionais

Do verso “pele macia é carne de caju”, da música “Tropicana” é que a empresa Amazonika Mundi está levando a combinação do fruto junto com ingredientes da Amazônia para outros países. Inspirados na música de Alceu Valença, os irmãos Thiago e Bruno Rossolem, fundaram a foodtech carioca em 2020, e agora participam de vários eventos internacionais apresentando as receitas inéditas de hambúrguer, almôndegas e alimentos feitos a partir da mistura de fibra de caju e com outros ingredientes da Amazônia, como é o caso da pimenta assîssîs, produzida por mulheres indígenas. Nos próximos dias 07 e 08 de junho, por exemplo, a Amazonika Mundi estará entre as quatro empresas parceiras da Embrapa, que irá representar o Brasil no Global Food Summit, que acontecerá em Munique, na Alemanha. Além deste, a empresa acabou de retornar de outro evento internacional também representando nosso país, que foi a conferência Investors Meet Food and Agri Startups 2022 (F&A Next), realizada nos dias 18 e 19 de maio em Wageningen, na Holanda. Sua participação na conferência partiu de um convite da Embaixada do Brasil em Haia e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), junto a outras quatro parceiras da Embrapa no desenvolvimento de soluções digitais inovadoras para o agronegócio. Além da notoriedade em eventos do ramo de alimentos orgânicos e soluções agrícolas, a Amazonika Mundi já fez sua primeira venda dos produtos para Dubai, nos Emirados Árabes, em fevereiro deste ano.

Os motivos dessa repercussão global, não são somente o sucesso do sabor do produto e a criatividade dos fundadores de Niterói (RJ), mas principalmente a história da produção dos alimentos que contribuem não só para minimizar os impactos ambientais, como para o desenvolvimento econômico de comunidades tradicionais da Amazônia. Parceira da rede Origens Brasil, a Amazonika Mundi gera emprego a mais de 2 mil famílias no total, e reaproveita a fibra de caju, antes descartada.

“A gente brinca que a inspiração do caju foi ouvindo Tropicana, mas na verdade tudo começou com um estudo técnico. Fizemos uma pesquisa inicial com a Embrapa antes de lançar o produto. Vimos que tinha como reaproveitar a fibra de caju que as fábricas descartavam após a extração do suco. Foi então que vimos com a Embrapa quais eram os ingredientes corretos para utilizar junto a essa fibra que vinha do Ceará, e em quais comunidades podíamos trabalhar. A partir daí conhecemos o Origens Brasil, uma rede que além de movimentar ações pela Amazônia para manter a floresta em pé, nos orientou como aumentar essa cadeia e ajudar esses guardiões da floresta, que são as pessoas que moram na Amazônia” contou Thiago.

Após identificar as regiões, o CEO da Amazonika Mundi explicou que a Embrapa passou a capacitar as pessoas para trabalhar o uso dos ingredientes de forma correta: “Atualmente, no total, já são mais de 2 mil famílias rastreadas pelo próprio Origens Brasil, somando a produção de todos os ingredientes”, revelou Rossolem. De acordo com dados da empresa, desse número, além da fibra de caju que é do Nordeste, estão mais de 600 famílias de regiões da Amazônia que produzem outros ingredientes, divididas em: 87 famílias com pimenta de assîssî, 36 com óleo de patauá, 18 com extrato de açaí e 500 com óleo sacha inchi. Sobre a pimenta assîssî, por exemplo, a Amazonika Mundi compra 40 kg de pimenta das terras indígenas Nhamundá-Mapuera e Trombetas-Mapuera, no território da Calha Norte. A produção fica com as mulheres das aldeias, que cultivam as pimenteiras em quintais e pequenas roças.

Sobre os benefícios da empresa para a floresta, Thiago contou que a empresa utiliza 90 mil toneladas de fibra de caju por ano, mas, que, após a reidratação, esse número multiplica para 270 mil, que eles utilizam e deixam de serem descartadas no meio ambiente. Já sobre as áreas conservadas na Amazônia, pela produção dos outros ingredientes também utilizados nos produtos da Amazonika Mundi, são mensuradas em quilômetros quadrados: (3,97 MI) de pimenta de Assis, (123) óleo de Patauá, (206) extracto de açaí e (750) de óleo sacha inchi.

Atualmente, além do hambúrguer e dos bolinhos da carne de caju, a Amazonika Mundi produz nuggets, kafta, e realiza estudos com outro ingrediente nativo da Amazônia: o cogumelo Yanomami, um fungo nativo da Amazónia. Além dele, a empresa estuda a aquafaba, um líquido derivado de leguminosas de cozinha – como feijões e lentilhas. Segundo a Amazonika Mundi, a tecnologia alimentar faz uma aquafaba de 12 meses à base de grão de bico e está a desenvolver uma maionese à base de plantas. Nas receitas veganas, caseiras ou industriais, já é comum utilizar a aquafaba como um substituto do ovo, devido à sua consistência. É possível fazer bolos, biscoitos, marshmallows, mousses e brownies com aquafaba ao invés de ovos.

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