Indígena Cunhaporanga mostra cotidiano nas redes sociais, para 6 milhões de seguidores

Ela é sucesso no Tik Tok, Instagram e Facebook, e já foi matéria no jornal El País na Espanha. Ficou conhecida nos EUA, França, Alemanha, Grécia, Polônia, Romênia e até mesmo na China, mostrando a cultura indígena da floresta amazônica. A indígena Maira Gomes Godinho, de 22 anos, mais conhecida como Cunhaporanga, está famosa na internet e já acumula mais de 6,5 milhões de seguidores nas redes sociais mostrando as curiosidades e rotina de sua vida na comunidade Tatuyo, localizada às margens do Rio Negro.

O interesse pelas redes sociais surgiu com a chegada da internet na comunidade, que aconteceu há cerca de dois anos, quando seu pai, o cacique Pinõ, responsável pela aldeia Tatuyo, contratou o serviço de internet banda larga via satélite fornecido HughesNet, da Hughes do Brasil, subsidiária da empresa global de mesmo nome. Com a internet, Cunhaporanga começou a compartilhar a rotina de seu povo nas redes sociais e viralizou após um vídeo em que mostra o costume de comer as larvas Mochivas, alimento tradicional da cultura indígena.

“Começamos a ter internet no comecinho da pandemia e, além de usar para as aulas online, comecei a compartilhar nosso dia a dia. Quando eu compartilhei o vídeo comendo a larva foi apenas para mostrar um costume nosso. Não imaginava atingir um público tão grande”, diz Cunhaporanga. A partir daí, ela passou a ganhar mais visibilidade e o alcance atraiu a atenção não só da mídia brasileira como também imprensa em diversos países.

As visualizações impressionam. Um vídeo em que ela mostra sua refeição com alimentos típicos, incluindo uma Mochiva, já alcançou mais de 31,7 milhões de visualizações no TikTok,  enquanto outro onde Cunhaporanga exibe e explica o uso do “pega-moça”, espécie de aliança indígena usada pelos noivos no dia do casamento, já atingiu 17,2 milhões de visualizações na mesma rede. Conteúdos de danças de música pop, tão populares no TikTok, também estão presentes no perfil da indígena– um deles já alcançou 42,9 milhões de visualizações.

A comunidade indígena Tatuyo está localizada a cerca de uma hora de Manaus, e vive basicamente do turismo e da venda de artesanatos, além da caça e da pesca. Com a divulgação de seus costumes e tradições do povo, a internet auxiliou até mesmo no pagamento dos artigos vendidos: “Muitos turistas se interessam pelo artesanato e acabam pedindo para fazer o pagamento pela internet; então podemos usar o acesso para que eles façam a transferência via pix”, declarou Cunhaporanga.

Para o cacique Pinõ, pai da jovem  agora famosa, a internet trouxe além de divulgação, a inclusão digital à comunidade: “Nós acreditamos que a internet é importante, pois não deixa a nossa cultura morrer. Ela também é responsável por nos trazer informações de outros locais e comunicação”, afirmou o cacique.

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