YWYTU PODE CHEGAR ÀS OLIMPÍADAS DE PARIS

Gustavo dos Santos, 25 anos, ou “Ywytu”, seu nome indígena que significa vento, pode ser o primeiro da etnia a representar o Brasil em Olimpíadas. Nascido na comunidade Nova Canaã, no baixo Rio Negro, no interior do Amazonas, Gustavo foi convocado para compor a seleção brasileira de Tiro com Arco de 2022, após as classificatórias realizadas em Maricá, no Rio, em janeiro. Com o apoio da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), o atleta indígena já integra a seleção brasileira desde 2019 e já havia participado das seletivas de Tóquio em 2021. Porém, terminou na quarta colocação geral. Mesmo ficando de fora, Ywytu não desanimou e continuou os treinos.

“Hoje, meu objetivo no esporte é chegar ao nível mais alto, estar entre os dois melhores do Brasil para ter chances claras. Estou treinando para cumprir o objetivo do projeto da FAS de colocar um dos participantes indígenas nas Olimpíadas, agora visando Paris 2024”, afirma o atleta.

Gustavo, que é do povo Karapanã,  foi descoberto pelo projeto de Arquearia Indígena da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), onde o jovem teve o primeiro contato com a modalidade, durante as seletivas da categoria feitas em comunidades do interior do Amazonas. Aos 16 anos, Gustavo se destacou durante a etapa realizada na comunidade de Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Rio Negro, há aproximadamente 60 km de Manaus.

 A partir daí, o atleta ficou entre os 12 jovens selecionados para treinar na capital amazonense. Em seguida, participou da segunda peneira e ficou entre os oito atletas classificados em Manaus. Em 2014, começaram os treinos focados em performance para se alinhar entre os melhores do Brasil. Em 2015, Gustavo passou a competir e, no ano seguinte, iniciou a participação nas seletivas para entrar nas categorias de base da seleção.  “Foi quando meu nível começou a subir e eu realmente quis algo a mais no tiro com arco. Eu queria estar entre os melhores”.

Gustavo ocupa o quarto lugar no ranking nacional do Tiro com Arco. Ele se mudou de Manaus para Maricá, no Rio de Janeiro, para treinar com os outros atletas da seleção brasileira. O arqueiro mora na sede da Confederação Brasileira de Tiro com Arco (CBTARCO) e tem apoio financeiro da FAS. Os jogos olímpicos acontecerão em 2024 e contarão com a participação de mais de 200 países.

ARQUEARIA INDÍGENA

O Projeto Arquearia Indígena é desenvolvido desde 2013 pela faz, junto com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco) e o Governo do Amazonas,  para incentivar o esporte e valorizar a cultura e a identidade dos povos indígenas do Amazonas. Segundo Virgílio Viana, superintendente geral da FAS, o projeto busca jovens indígenas e os desenvolvem como atletas, como parte do programa para enfrentar os desafios relacionados ao suicídio de jovens indígenas causados pela desesperança deles pelas perspectivas de vida que vislumbram.

O projeto é financiado pela Bemol e conta com o apoio da Confederação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Coipam), da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Fundação Estadual do Índio e Ministério da Cidadania, por meio da Lei do Incentivo ao Esporte.

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