Baseada numa pesquisa de campo na Associação dos Remanescentes de Quilombo do Pará, a doutoranda em Direito e consultora em manejo florestal na Amazônia, Ana Carolina Ribeiro, foi autora do livro “O plano de manejo florestal sustentável na Amazônia: A parceria empresa e comunidade tradicional no manejo florestal no Estado do Pará”. A obra retrata como essa parceria pode promover desenvolvimento econômico e social, assegurando a implementação dos direitos das comunidades tradicionais.
Mestra em Direito, Políticas Públicas e Desenvolvimento Regional e Professora da Graduação e Pós-graduação do curso de Direito da Universidade da Amazônia, Ana Carolina disse que o Projeto Aflora foi sua inspiração para o livro. O projeto é liderado pela empresa Benevides Madeiras, que tem como parceiros o grupo Hadex, Arqming e a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Pará. Através de técnicas para minimização dos impactos, como limite de número de árvores a serem exploradas e uso de métodos mais adequados para retirada e transporte da madeira, o Projeto Aflora vem desenvolvendo capacitação, sustentabilidade e geração de renda a centenas de famílias no Pará.
“Realizei entrevistas com alguns comunitários no município de Gurupá , PA, , e dentro da Associação dos Remanescentes de Quilombo, visitei três comunidades para apurar sobre as alterações que o manejo florestal poderia gerar em seu território. Todos afirmaram que as contribuições foram absurdas”, afirmou Ana Carolina, que para ter acesso às comunidades teve apoio da Benevides Madeira, principal idealizadora do projeto Aflora.
Entrevistado em 2019 por Ana Carolina, um dos comunitários da Associação de Remanescentes de Quilombo do Gurupá, em depoimento divulgado no livro, identificado como Entrevistado 3 (a autora não quis expor os nomes), relatou as transformações na comunidade após o projeto: “Com a chegada da empresa aumentou a produção agrícola, o primeiro trator que existiu em Gurupá na zona rural foi dado por ela. Criação de peixe, plantio, produção de farinha, situações quando um morador da comunidade era picado por uma cobra e tinha que passar horas de barco para chegar na cidade– passaram a ser evitadas com as estradas. Foi implantada a água encanada também, todas as comunidades agora possuem poços artesianos”, contou o morador de Gurupá.
BENEFÍCIOS DO PROJETO AFLORA
O Projeto Aflora conta com o apoio da EMBRAPA, Universidade Federal Rural da Amazônia, Ideflor, além da Secretaria Estadual de Desenvolvimento e Produção. Fiscalizado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade do Pará. O projeto é conduzido pela Benevides Madeira, em parceria com o grupo Hadex, Arqming e a Associação dos Remanescentes de Quilombo do Pará.
O projeto ainda compra das famílias da região a produção de mudas de peças nativas para replantio, nos batedores e estradas secundárias, usadas na extração florestal do ano anterior. A parceria econômica destina parte do lucro para a comunidade e parte para a empresa. Com o projeto, Gurupá recebeu água encanada, poço artesiano, energia elétrica, escola, posto de saúde, uma ambulancha com maca e oxigênio . Estradas foram abertas, dando acesso para a cidade o que antes só era possível pelo rio.
