PESQUISADORAS RELATAM DESIGUALDADE DE GÊNERO NA AMAZÔNIA

Na semana internacional da Mulher, um artigo relata dados que deveriam ser ultrapassados. As pesquisadoras da região amazônica Ane Alencar, Maria Rosa Murmis, Lilian Painter e Marianne Schmink publicaram neste dia 8 de Março, o artigo “Precisamos apoiar as mulheres para uma Amazônia Viva”, que retrata a desigualdade de gênero em todos os países amazônicos. Segundo o artigo, um dos 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas em 2015, até 2030, é justamente progredir na igualdade de gênero. De acordo com as pesquisadoras, esses dados são evidentes inclusive na ciência, onde o percentual de mulheres cientistas é reduzido e ainda carecem reconhecimento.

Nas áreas rurais, as mulheres apresentam as menores taxas de escolaridade, alfabetização e menor acesso a empregos formais e salários mais baixos. Por exemplo, a participação de mulheres nos empregos ligados na atividade pecuária, é mínima, e, em atividades mineradoras são quase exclusivamente para homens. Em Madre de Dios, região localizada no meio de Amazônia Peruana, tem uma das maiores taxas de tráfico para a exploração sexual de mulheres. Dados recentes mostram que 39% das mulheres na Amazônia colombiana foram vítimas de violência física. Ao mesmo tempo, mulheres têm estado na linha de frente no combate à pandemia de COVID, representando 70% dos funcionários do setor de saúde nos países amazônicos em 2019.

Para as pesquisadoras, o futuro sustentável da Amazônia exige incentivar a formação de mulheres cientistas e assegurar o acesso das mulheres à educação formal e trabalho em geral. As mulheres amazônidas, especialmente as Indígenas, são protagonistas de diversas atividades produtivas. Na Amazônia brasileira, por exemplo, as mulheres têm um papel de destaque no extrativismo da castanha, que respondeu por quase metade das exportações relacionadas à produção florestal em 2005 e forneceu cerca de 22.000 empregos. No entanto, esse trabalho produtivo das mulheres é muitas vezes invisibilizado devido a seu foco no autoconsumo familiar. As organizações de mulheres Indígenas e não Indígenas vem rompendo com as tradições patriarcais, fortalecendo para lutar por seus direitos. No entanto, elas precisam ter espaço nos debates políticos, nas comunidades e ter acesso aos recursos e capacitações para apoiar suas atividades.

SOBRE AS PESQUISADORAS

Ane Alencar é geográfa e diretora do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia). Maria Rosa Murmis é pesquisadora associada na Universidad Andina Quito, Equador, e trabalha como consultora em países da América Latina. Lilian Painter é ecóloga e diretora da Wildlife Conservation Society na Bolivia. Marianne Schmink é antropóloga e professora emérita da Universidade da Florida, EUA, e pesquisa mudanças socioambientais e relações de gênero em comunidades amazônicas. Ane, Maria e Lilian são uma das autoras do  Relatório de Avaliação da Amazônia 2021 produzido pelo Painel Científico para a Amazônia, uma iniciativa pela Rede e Soluções de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas (SDSN).

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