PROGRAMA QUELÔNIOS DEVOLVE MAIS DE 16 MIL TARTARUGAS AO RIO TROMBETAS, NO PARÁ

Unidos em um só propósito: contribuir para a conservação das espécies de quelônios, tartarugas da Amazônia, na Reserva Biológica (Rebio) do Trombetas. Esse é o objetivo do Programa Quelônios do Rio Trombetas, conduzido pelo Núcleo de Gestão Integrada Trombetas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em parceria com a Mineração Rio do Norte (MRN), Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) em conjunto com comunitários da região. Nesse intuito, a MRN divulgou que, na última sexta-feira, dia 4, o Programa realizou a soltura de mais de 16 mil filhotes de tracajás e pitiús na Base Santa Rosa, em Oriximiná, no Oeste do Pará. A ação aconteceu em parceria com os quilombolas Noel Pires e Antonio Luiz dos Santos, que participaram de todos os procedimentos: proteger os ovos, prepará-los para eclosão e devolvê-los à natureza.

O programa completa mais de 40 anos desenvolvendo ações para preservação dos quelônios da Amazônia, e os próprios comunitários que participam da ação, reconhecem a importância do programa: “Se a gente não cuidar agora, vamos sentir a falta mais à frente desses animais. Eu fui entendendo e vendo a importância desses bichos para a natureza e quero que meus filhos e netos vejam também”, afirmou Noel.

Além da Base Santa Rosa, outras duas bases avançadas fazem parte das atividades do Programa Quelônios do Rio Trombetas: Erepecu e Tabuleiro. Em todas elas, o ICMBio realiza ações estratégicas de proteção, incluindo fiscalização e educação ambiental: “Acreditamos que é importante ter a conservação desses quelônios, mas é preciso dar ênfase às ações socioambientais porque temos certeza de que quando se amplia a possibilidade do uso dos recursos, se diminui a pressão sobre um recurso específico”, avaliou Paulo Varalda, chefe do Núcleo de Gestão Integrada Trombetas do ICMBio.

A HISTÓRIA DOS QUELÔNIOS

Segundo o IBAMA, as tartarugas da Amazônia sempre fizeram parte dos costumes das tribos indígenas habitantes da região amazônica e, desde os primórdios da colonização promovida pelos portugueses, a partir do século XVII, o homem branco exerceu uma excessiva exploração dos estoques naturais das espécies de quelônios, principalmente da tartaruga-da-Amazônia (Podocnemis expansa). O impressionante massacre que as populações de Podocnemis expansa sofreram e, que chegavam a 48 milhões de ovos anuais, 400.000 filhotes de fêmeas deixaram de nascer a cada ano. Esse passado irracional de destruição desmedida, e os cenários preocupantes quanto à possível extinção da espécie, incentivaram o governo federal a instituir no ano de 1979 o Projeto Quelônios da Amazônia (PQA). Nesse intervalo de tempo, o PQA manejou cerca de 70 milhões de filhotes de quelônios, principalmente das espécies Podocnemis expansa, Podocnemis unifilis e Podocnemis sextuberculata. Os resultados desse processo permitem que o Brasil seja reconhecido como o único país da América do Sul ainda a possuir estoques significativos de quelônios passíveis de recuperação e viáveis para programas de uso sustentável. Parte desses resultados deve ser creditada às comunidades que se associaram às iniciativas de proteção e manejo, por acreditarem na importância que esses animais representam no seu dia a dia.

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